DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM DE CRIANÇAS DO 6º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL: um estudo à luz da educação problematizadora
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O presente trabalho tem por tema as dificuldades de aprendizagem apresentadas por estudantes
do 6º ano de uma escola do interior de Minas Gerais. É vinculado à linha de pesquisa Práticas
Docentes para a Educação Básica, do Programa de Pós-Graduação em Educação: formação
docente para a Educação Básica – Mestrado Profissional. Conta com auxílio financeiro do
Projeto Trilhas de Futuro – Educadores, da SEE/MG; vincula-se ao Grupo de Pesquisa
Formação Docente, Direito de Aprender e Práticas Pedagógicas – FORDAPP; à Rede
Cooperativa de Ensino, Pesquisa e Extensão em Escolas de Educação Básica – RECEPE; e ao
projeto intitulado “Educação na diversidade para a cidadania: um estudo de processos
educativos e formativos escolares e não escolares”. O objetivo geral é compreender as origens
das dificuldades escolares apresentadas pelos estudantes as possíveis interferências do contexto
social dos discentes e a organização curricular das instituições de ensino frente a essas
dificuldades. A metodologia foi calcada no método fenomenológico, com finalidade
exploratória, sendo realizada por meio da pesquisa documental e da pesquisa de campo,
valendo-se da aplicação de questionários. Foram analisados o Projeto Político Pedagógico, os
planos de aula dos professores, assim como os resultados das avaliações internas e externas dos
estudantes. Os questionários foram aplicados através de questões abertas via Google Forms,
sendo os participantes professores, pedagogos e gestora escolar. Foi realizado o estudo do
estado do conhecimento que evidenciou a dificuldade que os docentes têm em lidar com os
estudantes que apresentam dificuldades de aprendizagem, revelando uma nova categoria
nomeada dificuldades de ensinagem. Através da análise documental foi perceptível que os
documentos analisados congregam com a realidade de dominação evidenciadas pelo referencial
teórico, que reproduzem o caráter de dominação secular que oprime aqueles que não fazem
parte da elite dominante. Para a análise das respostas obtidas na pesquisa de campo foi utilizado
o método de Análise Fenomenológica Interpretativa (AFI) em que buscou-se compreender o
fenômeno através das experiências dos participantes com o tema em questão. Através da análise
foram estabelecidas três categorias: a opressão existente nas entrelinhas das ações escolares; as
dificuldades de ensinagem; e a resistência propositiva popular: um caminho a ser trilhado. Foi
possível entender que as dificuldades de aprendizagem são fruto de um processo histórico de
colonização do povo brasileiro que vive a divisão de classes em uma relação de opressão,
exclusão e segregação, sendo refletido na escola através do currículo, que é utilizado como
meio para perpetuação dos interesses da classe dominante. Desta forma, as dificuldades de
aprendizagem surgem como reflexo deste contexto social que legitima apenas os saberes que
são interessantes ao processo de manutenção das relações hierarquizadas de poder, sendo que,
aqueles que não se enquadram nesse grupo, são os protagonistas das dificuldades de
aprendizagem porque os seus saberes não são interessantes para a perpetuação da colonização
que se desvela atualmente como colonialidade. Desponta, assim, o que foi denominado como
dificuldades de ensinagem docentes, uma vez que não estão preparados para conceber e
valorizar a diversidade de saberes que não é legitimada pelo currículo, tornando-os agentes
dominadores neste processo. Ao final da pesquisa, os resultados obtidos subsidiaram e
fundamentaram a criação de um segundo produto, para além deste relatório de pesquisa, no
formato de material instrucional, sendo uma trilha pedagógica intitulada “Das dificuldades de
aprendizagem às dificuldades de ensinagem: nas trilhas por uma educação emancipadora”
criado com o objetivo de contribuir com a reflexão dos docentes da instituição de ensino em
que foi desenvolvida a pesquisa, tendo o propósito de refletir sobre as práticas pedagógicas,
possibilitando a escola uma mudança de pensamento e mudança da práxis educativa, a fim de
construir uma educação que garanta os princípios da alteridade, emancipação e transformação
dos estudantes advindos da diversidade que caracteriza o chão da sala de aula.