ANÁLISE DAS PROPRIEDADES MECÂNICAS E BIOLÓGICAS DE UM CIMENTO DE IONÔMERO DE VIDRO MODIFICADO COM VANADATO DE PRATA NANOESTRUTURADO UBERABA - MG 2022
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Resumo
Cimentos de ionômero de vidro (CIV) são reconhecidos como importantes materiais
restauradores odontológicos, embora muitas vezes apresentem falhas devido às propriedades
mecânicas deficientes e cárie secundária, em comparação com outros materiais odontológicos,
tais como as resinas compostas. O objetivo deste estudo foi analisar, de forma inédita, a
influência da incorporação do vanadato de prata nanoestruturado decorado com nanopartículas
de prata (AgVO3), nas propriedades mecânicas e biológicas de um cimento de ionômero de
vidro. Inicialmente o AgVO3 foi sintetizado e caracterizado. A concentração inibitória mínima
(CIM) foi determinada frente ao Streptococcus mutans. O AgVO3 foi incorporado ao cimento
de ionômero de vidro convencional autopolimerizável (Riva Self Cure) nas concentrações de
1%, 2,5% e 5%, em massa. Um grupo Riva Self Cure (controle), sem o nanomaterial também
foi obtido. A atividade respiratória do S.mutans foi avaliada através do ensaio de redução de
XTT (2,3-bis-(2-metoxi-4-nitro-5-sulfofenil)-2H-tetrazólio-5-carboxanilida) e a viabilidade
celular por meio da contagem de unidades formadoras de colônias (UFC) (n=9) e da análise
qualitativa por microscopia de fluorescência (n=2). Um total de 40 blocos de esmalte bovino
foram obtidos com cavidades padronizadas e restaurados, e após a exposição ao biofilme de S.
mutans por 5 dias a 37ºC avaliados quanto a desmineralização do esmalte através da análise da
microdureza Knoop (50g/15s). As propriedades físico-mecânicas foram avaliadas pelos ensaios
de resistência a tração diametral, dureza e rugosidade superficial. Os dados foram analisados
por análise de variância e pós teste de Bonferroni (α=0,05). A CIM do nanomaterial frente a S.
mutans foi de 250 μg/mL. O método do XTT demonstrou que a viabilidade das células expostas
ao grupo Riva Self Cure foi estatisticamente semelhante ao Riva Self Cure + 1% de AgVO3
(p=1,000) e diferente dos demais grupos (p<0,05), que apresentaram maior atividade
metabólica. O grupo Riva Self Cure + 1% de AgVO3 apresentou o menor número de UFC/mL,
sendo estatisticamente semelhante ao Riva Self Cure (p=0,099), e diferente dos demais
(p<0,05) que apresentaram maiores valores. A microscopia de fluorescência demonstrou no
grupo Riva Self Cure menor quantidade do número de células, havendo mais espaços vazios
entre elas, em relação aos grupos com AgVO3. Quanto a desmineralização, o grupo Riva Self
Cure + 1% de AgVO3 apresentou menor perda percentual de microdureza, com diferença
signficativa em relação aos grupos incorporados com 2,5% (p=0,005) e 5% (-60,79% ± 11,27%)
(p=0,003). Entretanto, nenhum dos grupos foi capaz de prevenir a desmineralização do esmalte
frente ao biofilme cariogênico. A incorporação de 5% do AgVO3 resultou em uma diminuição
significante nos valores de resistência à tração diametral e de dureza superficial quando comparado ao grupo Riva Self Cure (p<0,05). A incorporação do nanomaterial não influenciou
na rugosidade superficial (p=0,096). Conclui-se que nenhum dos grupos foi capaz de inibir
completamente a formação do biofilme e prevenir a desmineralização do esmalte. Os resultados
sugerem que a incorporação de 1% de AgVO3 ao CIV apresentou bom desempenho, entretanto
o material testado foi sensível a incorporação de maiores concentrações, podendo estas
sacrificarem as propriedades mecânicas sem potencializar o efeito antimicrobiano.