GÊNERO E DIVERSIDADE SEXUAL NA ESCOLA: UM ESTUDO A PARTIR DO COTIDIANO DE UMA COMUNIDADE ESCOLAR DO MUNICÍPIO DE PATROCÍNIO (MG)
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Resumo
No Ensino Médio, questões referentes à diversidade sexual e à desigualdade nas relações de
gênero (como a homofobia e a violência contra a mulher) são mais que temas eventualmente
abordados em projetos escolares. Pesquisas revelam que se trata, antes, de vivências
cotidianas de muitos estudantes - parte delas ocorridas no âmbito da própria educação escolar
e com consequências diretas para o aprendizado (VIANNA e UNBEHAUM, 2006; PALMA
et. al. 2015). Já se passaram duas décadas desde que os Parâmetros Curriculares Nacionais
(PCN) apresentaram o tema transversal Orientação Sexual como sugestão para o Ensino
Fundamental, mas a relação da educação básica com a temática, que envolve várias instâncias
produtoras de discursos sobre sexualidade, permanece difícil. É neste contexto que se propõe
a presente pesquisa, cujo objetivo geral é compreender as relações que se dão, no dia a dia,
entre diretrizes educacionais para a abordagem de gênero e diversidade sexual, e as
concepções circulantes numa comunidade escolar a respeito da mesma temática. Através do
estudo de caso, a pesquisa busca, após apresentar o campo teórico dos estudos de gênero e das
teorias queer, contextualizar a inserção da temática em políticas públicas para a educação no
Brasil, diferenciando sua abordagem no Ensino Fundamental e no Médio, na da cidade de
Patrocínio (MG) e da comunidade escolar onde se dará a pesquisa. A partir da análise do PPP
da escola, visa verificar o entendimento que diferentes segmentos da comunidade escolar têm
a respeito da abordagem de questões de gênero e diversidade sexual na educação básica e
compreender os posicionamentos dos diferentes segmentos consultados. A investigação
envolve pesquisa de campo, documental e bibliográfica. A pesquisa de campo é de tipo
etnográfico segundo o entendimento de André (1989; 1995), Lüdke e André (1986) e também
Abreu-Bernardes et. al. (2013; 2016). Os participantes da pesquisa são um grupo de
professores das três séries do Ensino Médio, seus alunos, os adultos por eles responsáveis
além de outros funcionários da escola. Antes da discussão à luz do referencial teórico, os
dados são triangulados, tendo como vértices a pesquisa de campo, a pesquisa bibliográfica e a
pesquisa documental. Os resultados obtidos apontam que ainda as discussões de gênero no
campo de pesquisa permanecem reafirmando papeis binários e morais de sexualidade,
utilizados como forma de poder e dominação, corroborando o apontado por Foucault (1998) e
Butler (2008).