PEDAGOGIA DA AUTONOMIA NA EDUCAÇÃO INFANTIL: UM ESTUDO SOBRE EDUCAÇÃO DE CRIANÇAS DAS CLASSES POPULARES
Carregando...
Data
Autores
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
DOI
Resumo
Este texto apresenta resultados de uma investigação, vinculada à linha de pesquisa Práticas Docentes para Educação Básica - do Mestrado Profissional em Educação da UNIUBE, desenvolvida no ano de 2019 com a finalidade de contribuir para a reflexão sobre educação infantil e a pedagogia da autonomia, identificando e analisando as concepções de autonomia presentes no cotidiano de uma escola pública de educação infantil e seus significados para o desenvolvimento da autonomia dos/as educandos/as. Para tanto, a referida pesquisa adotou o enfoque qualitativo e contemplou a revisão bibliográfica, pesquisa de campo e documental. As técnicas de produção de dados foram análise documental, entrevistas semiestruturadas e observação. A questão central que orientou a investigação foi assim definida: Quais concepções de autonomia estão presentes no cotidiano de uma escola pública de educação infantil de Uberlândia e seus significados para o desenvolvimento da autonomia dos/as educandos/as? Para auxiliar a compreensão do objeto de estudo, foram estabelecidas como questões complementares: O que consta no Projeto Político Pedagógico sobre autonomia do/a educando/a? Qual é a compreensão dos/as educadores/as e da pedagoga que atuam na escola sobre autonomia? Quais são as atividades desenvolvidas e seus vínculos com autonomia do/a aluno/a? Os/as participantes da pesquisa foram educadoras e pedagoga de uma escola municipal, localizada na periferia de Uberlândia-MG, cujos/as estudantes são, majoritariamente, oriundos das classes populares, que atuam no 2º período da educação infantil. Como base teórica para a coleta e análise de dados foram utilizadas as formulações de Paulo Freire (2015, 1987), Moacir Gadotti (2003) e Miguel G. Arroyo (2014) acerca de educação popular e da centralidade da Pedagogia da autonomia no processo educativo das classes populares e de Freitas (2008), Corsaro e Rosier (2019) sobre criança e infância e Bardin (2011) sobre análise de conteúdo. Os resultados mais recorrentes mostram que a concepção de autonomia expressa pelas educadoras nas narrativas e nas práticas pedagógicas contém elementos vinculados aos cuidados do corpo das crianças e dos materiais, como exemplo, mochila, agenda e vestimentas, mas estão ausentes elementos associados aos atos de assumir-se, fazer escolhas, planejar, apresentar proposições e leituras sobre diferentes acontecimentos. Essa concepção manifestada pelas educadoras é próxima do definido pela Base Nacional Comum Curricular (2017). Mostram, também, que a concepção de autonomia expressa pela Pedagoga se aproxima das proposições de Freire (2015), pois incorpora a relação entre autonomia, liberdade e responsabilidade, destacando nesse processo o desenvolvimento do pensamento crítico e da autoria dos/as crianças das classes populares. Em relação aos achados relativos à análise do Projeto Político Pedagógico da escola, do conceito de autonomia, das práticas ali indicadas, da metodologia de elaboração do mesmo e seus fundamentos, os resultados indicam vínculos com um campo de compreensão da autonomia associado à democracia, à autoria e ao fomento do pensamento crítico. Por fim, os resultados da pesquisa possibilitaram elaborar material de apoio às ações educativas, a partir das narrativas de membros da comunidade que migraram para o município de Uberlândia, compondo história e confeccionando personagens, de forma que o trabalho com esta história e seus personagens possa fomentar a autonomia dos/as educandos/as, possibilitando o exercício do pensamento crítico e a criação de novas narrativas.