PENSAMENTO DOCENTE SOBRE OS CICLOS NA EDUCAÇÃO BÁSICA
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Resumo
A organização da educação básica do Brasil segue dois sistemas: séries e ciclos. Se uns
defendem estes porque visam suprir necessidades individuais de aprendizagem discente,
outros criticam os ciclos porque se associam à promoção automática, adotada para corrigir
problemas de repetência, evasão e atraso escolar. Visto que o sucesso dos ciclos depende da
adesão docente, então como professores e professoras concebem essa organização escolar? A
formação inicial os prepara para atuar nessa organização? A formação continuada e em
serviço orienta a prática pedagógica de quem atua nesse sistema escolar? Que dificuldades
enfrentam no processo de ensino e aprendizagem nos ciclos? Esta pesquisa objetivou
investigar tanto as concepções e práticas de professoras de uma escola municipal de Minas
Gerais que adota os ciclos quanto as dificuldades que enfrentam na prática. Para isso, a
pesquisa recorreu à revisão bibliográfica dos antecedentes históricos e da discussão atual
sobre os ciclos, bem como a entrevistas semi-estruturadas com seis professoras e uma
supervisora. Os relatos indicam que a implantação dos ciclos deixou a desejar. Embora seja
uma escola apenas, é correto supor que ela reproduza o que a situação de outras escolas que
passaram por tal reorganização e que os problemas mencionados pelas entrevistadas são
comuns, também, a docentes de escolas seriadas. Essa constatação permite concluir que o
sucesso do regime de ciclos e a qualidade da educação básica dependem das condições do
trabalho docente, de salários e de uma formação inicial e contínua voltada às necessidades
concretas dos docentes no dia-a-dia da sala de aula.