A ORGANIZAÇÃO DA ATIVIDADE DE ESTUDO COM O USO DO SMARTPHONE EM SALA DE AULA - UM EXPERIMENTO DIDÁTICO NO ENSINO MÉDIO INTEGRADO AO ENSINO TÉCNICO

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As tecnologias digitais estão presentes nas atividades diárias do homem contemporâneo, principalmente os smartphones, que ganham novos usuários a cada dia, especialmente entre os jovens que os utilizam com destreza e naturalidade, porém não são autônomas em relação à dinâmica social. Neste contexto, este trabalho teve como objetivo organizar o processo ensino-aprendizagem com o uso do smartphone em uma disciplina de um curso técnico integrado ao ensino médio, por meio de atividades de estudo, na perspectiva da Teoria Histórico-Cultural. Insere-se na Linha de Pesquisa Desenvolvimento Profissional, Trabalho Docente e Processo Ensino-Aprendizagem do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade de Uberaba e integra o projeto de pesquisa, aprovado pelo CNPq, intitulado As potencialidades e os desafios do experimento didático-formativo no ensino-aprendizagem e na formação docente. Foi uma pesquisa qualitativa, utilizando o experimento didático, fundamentado na Teoria Histórico-Cultural. Apoia-se em Vigotski (1989, 1996, 2004, 2007) e em seus seguidores, dentre eles, Leontiev (1983, 2006) e Davidov (1982, 1987, 1988, 1999), entre outros; também em pesquisadores nacionais como Libâneo (2004 e 2015), Moura (2010), Freitas (2009 e 2010), Peixoto (2011). O experimento didático envolveu levantamento bibliográfico, documental e pesquisa de campo. Foi realizado nas aulas da disciplina de Organização, Montagem e Manutenção de Computadores (OMMC), ministradas pelo próprio pesquisador, no segundo ano do Curso Técnico em Manutenção e Suporte em Informática Integrado ao Ensino Médio, ofertado em uma instituição pública federal em Uberaba – MG. O experimento foi organizado em quatro atividades de estudo, realizadas em 18,5 horas num período de três meses. Os participantes foram 14 alunos, com idades de 16 e 17 anos. A análise dos dados foi feita após a leitura do material coletado: os documentos, as falas e as produções dos alunos, e os registros do pesquisador. Foram estabelecidas as unidades de análise a partir dos objetivos, do referencial teórico e dos dados empíricos para, em seguida, promover a confrontação do referencial teórico com os dados empíricos, buscando inferir os resultados relacionados ao objeto de pesquisa. Foi possível constatar que o estudo organizado, de acordo com pressupostos teóricos da Teoria da Atividade de Leontiev e da Teoria da Atividade de Estudo de Davidov, criou um campo, no qual esse artefato ganhou novos sentidos, valorizou a autonomia do aluno, promoveu a apropriação dos conceitos essenciais e dos processos técnicos da disciplina, envolvidos nas atividades, além de contribuir para desenvolvimento cognitivo dos alunos. Colaborou, também, para a formação e desenvolvimento profissional do professor-pesquisador. Permitiu, ainda, perceber que os artefatos, no caso o smartphone, são instituídos como instrumento pelo sujeito, no bojo da ação que lhe dá direção, como meio para atingir os fins desejados na atividade.

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