TRABALHO DOCENTE NO ENSINO SUPERIOR E SAÚDE DE PROFESSORES: estado do conhecimento em teses e dissertações da UFMG
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Resumo
As transformações no mundo do trabalho, associadas às alterações tecnológicas em expansão
e à reestruturação produtiva, têm atingido o trabalho e a saúde de docentes. Nessa direção,
esta pesquisa, de natureza teórica, do tipo estado do conhecimento e de abordagem quali quantitativa, analisa de que modo, e sob quais condições, a precarização do trabalho interfere
na saúde de professores universitários e como isto tem sido tratado na produção científica da
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), na forma de teses e dissertações e
disponíveis na sua biblioteca digital. Vinculada à linha de pesquisa Desenvolvimento
Profissional, Trabalho Docente e Processo Ensino-Aprendizagem do Programa de Pós Graduação em Educação da UNIUBE, visa mapear e indicar as tendências teóricas e
metodológicas sobre o tema, tendo em vista a recuperação e a análise dos pontos comuns à
produção do conhecimento sobre precarização do trabalho docente e saúde dos professores. O
referencial teórico apoia-se principalmente nas contribuições de Giovani Alves (2000, 2011);
Antunes (2007, 2009); Frigotto (2010); Linhart (2007) e Marx (1844). Para as questões da
saúde se recorre em especial a Bonetti (2006); Carlotto (2002); Martinez (2010); Oliveira e
Assunção (2010); Porto; Reis; Andrade; Nascimento e Carvalho (2004). A metodologia
incluiu busca de dissertações e teses dos Programas de Pós-Graduação em Educação e em
Psicologia, na base de dados da UFMG, utilizando oito termos descritores, para busca em
título e palavras-chave: ensino superior privado; condições de trabalho; precarização;
reestruturação produtiva; organização do trabalho; educação a distância; intensificação do
trabalho e superior. Após a busca, procedeu-se à seleção das produções pelo título, conferindo
sua relação com a pesquisa. Em seguida, realizou-se a leitura dos resumos das produções
selecionadas pelo título, tendo como resultado nove produções; sendo uma descartada na
etapa da leitura integral. Definida a amostra de duas dissertações e seis teses, procedeu-se à
leitura integral das produções e ao preenchimento de uma Ficha de Identificação para a
sistematização do conteúdo. Nela foram registrados os pontos comuns sobre precarização do
trabalho docente e saúde de professores, para posterior análise à luz do referencial teórico
utilizado e em confronto com a literatura. Os resultados indicam que o trabalho pode ser fonte
de prazer e de sofrimento; favorecer o surgimento de problemas de saúde e acarretar prejuízos
à qualidade de vida e ao próprio trabalho de professores. Com uma evidente expansão do
ensino superior no Brasil, tem-se uma precarização das condições de trabalho, modificando a
vida e a atuação de professores, expondo-os ao sofrimento e mal-estar. São muitas as
dificuldades relacionadas ao trabalho docente. Dentre elas, estão os baixos salários,
desvalorização profissional, falta de autonomia, competitividade, estresse, uma lógica do
produtivismo gerando intensificação e sobrecarga de trabalho, que concorrem para o
individualismo e o isolamento dos profissionais; o que tem contribuído para o aparecimento
de problemas ergonômicos, vocais, mentais e funcionais, que afetam a saúde de professores.
Os mais comuns são LER/DORT, disfonia e a síndrome de Burnout. Como reflexos do novo
mundo do trabalho, tem-se muitos profissionais doentes pelas condições precárias de trabalho,
decepcionados e desestimulados com a profissão.