SABERES E FAZERES QUILOMBOLAS: diálogos com a Educação do Campo
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Resumo
A Educação do Campo vem conquistando espaço em debates e políticas
educacionais no cenário brasileiro e não se concretiza sem reconhecer a existência
do campo, de sua realidade histórica e dos sujeitos que nele vivem, compreendendo
seus processos culturais, sua socialização e as relações de trabalho vivenciadas por
esses sujeitos em suas práticas cotidianas. Nesse sentido, a Educação do Campo
busca manter e legitimar a identidade dos homens e mulheres do campo, além de
respeitar e valorizar os diferentes saberes e fazeres já construídos, a partir de suas
histórias de vida. O presente trabalho busca compreender como a Educação do
Campo vem se dando entre populações quilombolas de uma comunidade de Minas
Gerais (comunidade quilombola Justa I, situada no município de Manga/ MG).
Considera-se que, para garantir uma melhor percepção do cotidiano, da cultura e
das tradições da população quilombola, é imprescindível alcançar um profundo
conhecimento das histórias de vida deste povo, das suas vivências e das suas
experiências no dia-a-dia. Como os remanescentes quilombolas educam e se
educam em seu cotidiano e como a Educação do Campo vem dialogando com
esses saberes e fazeres, a partir das “Histórias de vida”, foram os objetivos aqui
propostos. Os resultados da pesquisa apontam para o PRONERA, no município de
Manga/MG, que veio a fortalecer a Educação do Campo, à medida em que forma
profissionais da educação, capazes de desenvolver um ensino voltado para o
diálogo e a construção própria do conhecimento dessas comunidades quilombolas.
Os quilombolas (Justa I), por sua vez, considera “saber” o conhecimento formal
adquirido na escola, embasam seus valores no trabalho, família e território e a
educação (formal ou não) é presente na vida cotidiana dos remanescentes
quilombolas de Justa I, impressa nos seus fazeres e nos seus saberes múltiplos.
Justifica-se a natureza deste estudo como possibilidade de resgatar a cultura
quilombola nos processos educativos destas populações, valorizando os seus
múltiplos conhecimentos e práticas sociais.