VIOLÊNCIA DE GÊNERO, ESCOLA E POLÍTICAS PÚBLICAS DE EDUCAÇÃO
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Compreender as questões de gênero se mostra muito importante na busca por uma sociedade
mais igualitária e tolerante com as diferenças. Casos de violência que se relacionam em algum
nível com questões ligadas a gênero são comuns de serem observados nas mais diversas
camadas da sociedade contemporânea, bem como na escola. Desenvolvida na linha de pesquisa
“Processos Educacionais e Seus Fundamentos”, e inserida no projeto guarda-chuva “A
produção social da identidade e da diferença no livro didático: uma contribuição aos estudos da
educação na diversidade para a cidadania”, a presente pesquisa tem como objetivo geral analisar
a questão da violência de gênero na educação básica e como as políticas públicas para a
educação se relacionam com os temas, sendo objetivos específicos: apresentar a categoria
gênero contextualizando sua elaboração; conceituar violência de gênero e violência escolar;
discorrer sobre a violência de gênero no âmbito escolar; contextualizar a aproximação dos
estudos de gênero com as políticas públicas para a educação; e demonstrar a importância de
políticas públicas educacionais para o enfrentamento da violência de gênero na escola. Trata se de uma pesquisa bibliográfica, realizada em abordagem qualitativa, através de levantamento
de artigos nas bases de dados Scientific Electronic Library Online – SciELO, Portal de
Periódicos da CAPES e Banco de Teses e Dissertações da CAPES. Utilizou-se os termos
"violência de gênero" e "discriminação de gênero" em cruzamento com os termos "escola" e
"educação básica", delimitando o período dos últimos dez anos e considerando publicações na
língua portuguesa. Para fundamentação teórica, utilizou-se autores dedicados aos estudos de
gênero na educação (LOURO, 2001, 2008; VIANNA e UNBENHAUM, 2004, 2006; BENTO,
2001; ABRAMOWAY 2002, 2003). Como resultados, é possível observar que a construção de
gênero ocorre de forma sócio histórica e comumente se confunde com as questões do sexo
biológico, sendo normatizado que o feminino esteja pautado em posição de inferioridade em
relação ao masculino. A violência é utilizada como um mecanismo de reprimir o que é visto
como anormal, resultando em diferentes tipos de violência de gênero, que se manifestam
também na escola. No âmbito escolar, é comum que exista um receio em abordar questões
ligadas ao gênero e a sexualidade, bem como em reconhecer a violência que ocorre em
decorrência de ambos os temas. Ainda que existam políticas públicas de educação que visam
estabelecer meios para a abordagem dos assuntos ligados a sexualidade no ambiente escolar,
estas políticas públicas se mostram insuficientes e pouco consistentes na prática.