TRABALHO DOCENTE E CULTURA VIRTUAL NO ENSINO SUPERIOR: PRODUÇÃO DE SUBJETIVIDADE E SAÚDE MENTAL DE PROFESSORES
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Resumo
Na sociedade globalizada as transformações caminham juntas com o mundo do trabalho que
sofre impactos da reestruturação produtiva e do capitalismo flexível. O trabalho docente no
contexto da cultura virtual passa por importantes mudanças e acarreta diferentes papéis para os
que o desempenham. A produção de subjetividade e a saúde mental docente são afetadas pelas
transformações da sociedade do século XXI, principalmente pela globalização e pelas
evoluções das tecnologias e da cultura virtual. A partir desses aspectos, o trabalho, o ser docente
e o fazer docente tendem a apresentar modificações, ora mais rápidas, ora mais lentas. Nesse
sentido, esta pesquisa trata da Cultura Virtual e Trabalho Docente no Ensino Superior em suas
relações com a Produção de Subjetividade e a Saúde Mental de Professores. Está ligada à linha
de pesquisa desenvolvimento profissional, trabalho docente e processo ensino-aprendizagem e
ao Grupo de Estudos Trabalho docente, tecnologias e subjetividade – GEPETTES – do
Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade de Uberaba. Tem como objeto de
pesquisa, o trabalho docente e a produção de subjetividades. O problema da pesquisa é saber
se, no contexto do capitalismo flexível e global, e a partir da inserção na cultura virtual, o
trabalho docente no ensino superior afeta a produção de subjetividade e a saúde mental de
professores. O objetivo é compreender a relação entre trabalho docente, subjetividade e saúde
mental de trabalhadores docentes do ensino superior no contexto do capitalismo flexível em
tempos de cultura virtual. A pesquisa apoia-se nos referenciais teóricos de Ricardo Antunes,
Manuel Castells, David Harvey, Richard Sennett, Vai Moreira Kenski, Pierre Lévy, Cleomar
Locatelli, Cinara Rosenfield, Lucia Santaella, Félix Guattari, Suely Rolnik, Maurizio
Lazzarato, Antônio Negri, Henrique Caetano Nardi, Fernando Gonzáles Rey, Paula Sibilia,
Christophe Dejours, Evaldo Piolli e Edith Seligman-Silva. O recorte temporal da pesquisa é de
2010 a 2020. A pesquisa é bibliográfica e empírica, de abordagem qualitativa. O instrumento
de coleta de dados foi a entrevista narrativa. Os participantes foram 12 docentes das grandes
áreas do conhecimento Humanas, Saúde, Ciências Sociais e Exatas, do Ensino Superior de uma
Universidade Privada do interior de Minas Gerais. Para análise dos dados, usou-se a técnica de
Análise de Conteúdo de Laurence Bardin. Os resultados indicam que as condições de trabalho
no ensino superior vêm sendo impactadas pela cultura virtual e que o trabalho é essencial na
produção de subjetividades e na constituição da saúde mental de professores. O trabalho
docente tem suas particularidades e características que influenciam na busca de qualificação,
atualização e atuação mais produtiva e exige polivalência nas ações e também envolvimento
mental, físico e cognitivo nas suas funções. Em conclusão, o docente do ensino superior vive
um processo de muitas e significativas mudanças; em que o que mais impacta no trabalho e na
docência do ensino superior são as tecnologias e a cultura virtual. A expectativa é que esta
pesquisa possa contribuir para o aprimoramento teórico acerca do trabalho docente e seus
desdobramentos para a vida dos docentes do ensino superior.