CLASSES HOSPITALARES E MELHORIA DAS CONDIÇÕES DE SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA DE CRIANÇAS INTERNADAS NO HOSPITAL DE CLÍNICAS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA: narrativas dos profissionais da saúde e das acompanhantes.

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A doença e a hospitalização trazem consigo a percepção da fragilidade, o desconforto da dor e a insegurança da possível finitude da vida. É um período de desestruturação do ser humano, uma mudança do seu cotidiano e da sua família. Crianças com internações prolongadas e/ou repetidas têm dificuldade de acompanhar o calendário escolar e isso acaba gerando, além do desconforto da doença, uma ruptura no processo de escolarização e uma dificuldade no enfrentamento da vida extra-hospitalar. A presente investigação, vinculada ao Programa de Pós-Gradução em Educação - Formação Docente para a Educação Básica , da UNIUBE, e ao Grupo de Pesquisa em Formação Docente, Direito de Aprender e Práticas Pedagógicas- FORDAPP, com enfoque qualitativo, contemplando revisão bibliográfica, análise documental e pesquisa de campo, visa contribuir para o debate sobre melhoria da qualidade de vida e das condições de saúde de crianças com doenças crônicas através da participação na Classe Hospitalar. Para tanto, foram realizadas entrevistas semiestruturadas e questionários, com acompanhantes, equipe médica, de enfermagem e assistentes sociais responsáveis pelo tratamento e acompanhamento das crianças internadas e que frequentam a classe hospitalar. Foi aplicado questionário, a pedagoga do Hospital de Clínicas que desenvolve ações na referida classe. Sendo o objetivo principal a reflexão sobre como a Classe Hospitalar contribui na melhoria das condições de saúde e qualidade de vida das crianças internadas, tendo como referência as narrativas dos participantes e os documentos tomados como fontes. As entrevistas e os questionários contemplaram a relação da criança com a equipe médica, a de enfermagem, a de assistência social, a equipe pedagógica da UFU e acompanhante; entendimento e aceitação do tratamento; a manifestação de afeto e do planejamento da vida pós-internação e manifestações das crianças sobre a classe hospitalar. Além da pesquisa de campo, foram analisados os diários escolares da pedagoga, buscando elementos que nos ajudem a conhecer a rotina da criança, da doença que as atingem e das internações que foram submetidas. Os resutados das análises dos dados permitem afirmar que, para as acompanhantes, a Classe Hospitalar contribui para o aprendizado escolar, funciona como entretenimento, ajuda a suportar o período de internação, na aceitação do tratamento, desperta sentimentos de alegria, bem estar e relaxamento, resgata parte da rotina perdida com a doença e a internação, e funciona como um ambiente de acolhimento no hospital. Nas narrativas apresentadas pelos profissionais de saúde a participação na classe hospitalar proporciona continuidade na escolarização, garante direitos sociais e melhorias na qualidade de vida, à medida que melhora o humor, o relacionamento com a equipe e com os acompanhantes, ajuda na aceitação do tratamento, incentiva a elaboração de planos pós alta hospitalar, melhora o prognóstico da doença e matém a socialização.

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