ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS DAS LESÕES FIBRO-ÓSSEAS BENIGNAS EM UMA POPULAÇÃO DO TRIÂNGULO MINEIRO
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Resumo
As lesões fibro-ósseas benignas (LFOB) constituem um grupo de doenças caracterizadas
pela substituição de tecido ósseo normal por tecido fibroso benigno contendo quantidades
variadas de material mineralizado neoformado e apesar de divergir as LFOB se
assemelham clinicamente e histologicamente. Segundo a mais recente classificação da
Organização Mundial da Saúde, as lesões fibro-ósseas benignas dos maxilares podem ser
classificadas como: displasia fibrosa (DF), displasia óssea (DO), fibroma ossificante
central (FOC) e o cementoma ginganteforme familiar (CGF). O objetivo deste estudo foi
adquirir informações sobre este grupo de doenças, a fim de entender suas características
sociodemográficas, clínicas e patológicas. Estudos com estas doenças tornam necessários,
em razão de que essas lesões possuem diferentes prevalências epidemiológicas ao redor
dos continentes e devido ao pequeno número de dados publicados. Foram coletadas
informações dos serviços do Laboratório de Patologia Oral da Universidade Federal de
Uberlândia (1978 – 2020) e do Laboratório de Patologia Oral da Universidade de Uberaba
(1999 – 2020). As LFOB corresponderam a 0,93% (n=182/19468) de todos os registros,
totalizando 183 casos em nossa amostra. Desses pacientes, 86 (47,3%) foram
diagnosticados com DO, 57 (31,3%) com DF e 39 (21,4%) com FOC. Em sua maior parte,
as lesões acometeram mulheres, afrodescendentes, com idade média de 39,1 ± 17,30. A
mandíbula demonstrou maior acometimento das LFOB, exceto pela DF que foi mais
comum na maxila. O aspecto radiográfico misto foi o mais frequente. A maior parte dos
pacientes eram assintomáticos, e o aumento volumétrico foi a queixa principal mais
citada. Na maioria dos estudos revisados, a DF é a LFOB mais observada. Entretanto, em
todos os trabalhos proveniente de pacientes do Brasil a DO se mostrou mais frequente.
Também é observado na literatura maior frequência de pacientes afrodescendentes e
mulheres em todos os tipos de LFOB, com maior acometimento na mandíbula, exceto
pela DF. Podemos concluir que a DO foi a LFOB mais observada em nosso estudo.
Mulheres de meia idade, afrodescendentes representam a população mais frequentemente
afetadas por estes distúrbios.