DIREITO, ENSINO E FORMAÇÃO DOCENTE: VERTENTES DE UMA DEMOCRACIA EM CONSTRUÇÃO
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Resumo
Com a promulgação da democracia, em 1988, inaugura-se um novo paradigma no Brasil e
faz-se necessária uma re-análise dos antigos institutos jurídicos. O ensino jurídico ocupa um
espaço importante na luta pela concretização dos direitos fundamentais, pois forma
profissionais que constantemente articulam estratégias de efetivação das necessidades
elencadas na Constituição. Daí a necessidade de uma educação que incentive a produção de
uma crítica que demonstre coerência com o regime político adotado no Brasil. A fim de
modificar o cenário dominado pela influência pedagógica tradicional, no qual o professor é o
reprodutor dos conteúdos e o aluno mero receptor, é necessário repensar a formação dos
profissionais. Faz-se indispensável um aperfeiçoamento que provoque o despertar da
consciência jurídica, por meio de um processo comprometido com a reconstrução do
conhecimento de um novo Direito, contextualizado com as necessidades da sociedade
contemporânea. Sendo assim a presente pesquisa visa analisar como os(as) professores(as)
dos cursos de Direito da cidade de Uberaba compreendem o Estado Democrático de Direito e
se/como associam a educação como vertente de uma democracia em construção. Para tanto,
este trabalho é dividido em cinco capítulos. No primeiro, é traçado um resgate dos momentos
de criação e multiplicação dos cursos jurídicos, desde o Brasil Colônia até os dias de hoje, a
fim de refletir sobre o ensino atual, também como prerrogativa para o levantamento de
hipóteses e sugestões de melhoria na educação. O segundo capítulo objetiva discutir o ensino
jurídico atual voltando os olhares para a identidade docente e a questão da pesquisa. As
discussões serão respaldadas a partir das problemáticas levantadas na pesquisa de campo,
sobretudo com base nos perfis do grupo pesquisado. No terceiro capítulo, o ensino jurídico
atual continua sendo discutido, agora com base na metodologia e forma de avaliação usadas
pelos(as) docentes. No quarto capítulo, consta uma discussão das diversas concepções de
Direito e Estado, construídas ao longo da história, cujo objetivo é entender quais paradigmas
fundamentam as opiniões docentes. Por fim, o quinto capítulo traz a análise do pensamento
docente partindo das concepções de ensino e democracia. Os procedimentos metodológicos
são fundamentalmente qualitativos, de forma que os dados sejam coletados por meio de
observações, da aplicação de um questionário elaborado com questões abertas e fechadas e da
realização de entrevistas semi estruturadas. Referidos instrumentos, que serão analisados a
partir das orientações de Trivinos (1987), permitem um mapeamento dos perfis sócio econômico-culturais dos sujeitos investigados; a investigação da concepção de educação, da
forma de ensino e da formação docente; a apreensão da reflexão do(a) professor(a) sobre o
Direito e seus paradigmas e a análise da coerência entre o discurso empregado na
compreensão de democracia e as atitudes em sala de aula. Uma vez que abrange a máxima
amplitude na descrição, explicação e compreensão do foco em estudo, a técnica da
triangulação foi escolhida para a exploração dos dados.