EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: O DESAFIO DO TRABALHO DOCENTE VOLUNTÁRIO
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Resumo
A Educação de Jovens e Adultos - EJA, prevista e garantida em leis - Constituição
Federal/88 e LDB (20/12/96) -, tem tido problemas em sua regulamentação, financiamento
e sua implementação tem sido realizada, em grande parte, com trabalho docente voluntário.
O objetivo geral desta pesquisa é analisar o trabalho docente voluntário desenvolvido em
um projeto não formal em Uberlândia/MG, na perspectiva dos professores, e no modo
como o mesmo repercute entre os alunos da Educação de Jovens e Adultos. O presente
estudo, vinculado à linha de pesquisa Educação e Sociedade, parte do pressuposto de que
para se atingir o verdadeiro objetivo da Educação de Jovens e Adultos, a socialização do
saber sistematizado necessita de ações educativas empreendidas por professores
habilitados, que consideram a escolarização um instrumento indispensável à construção de
uma sociedade democrática. A pesquisa iniciou-se a partir das seguintes indagações: O que
é ser professor voluntário na Educação de Jovens e Adultos? O professor voluntário tem
compromisso efetivo com a educação? O que traz esse professor para o trabalho com EJA?
Como esses professores definem e que sentido dão ao processo de ensino? Há propostas
político-pedagógicas? Estas são elaboradas levando em conta a realidade social do
educando? A formação do professor interfere no processo ensino-aprendizagem? Qual o
viés teórico-metodológico dos projetos não formais da EJA? Este trabalho caracteriza-se
como um estudo de caso, com revisão bibliográfica, levantamento de documentos e
pesquisa empírica numa abordagem qualitativa. A coleta de dados deu-se com o uso de
entrevistas semi-estruturadas e anotações do caderno de campo. Envolve os principais
atores do processo educativo (professores, coordenador e alunos) dessa modalidade de
ensino, em projeto não formal, no município de Uberlândia. Na análise das entrevistas,
resultados apontam para reflexões sobre o trabalho docente voluntário desenvolvido nessa
ação educativa. Apreendeu-se que o que leva o professor para esse tipo de trabalho é a
realização de valores e deveres religiosos que se convertem em capital simbólico e que
garantem aos professores o reconhecimento da comunidade pelo seu trabalho como
educador e ainda permite a eles cumprirem seus compromissos de filantropia e caridade,
assumidos no campo religioso. A ausência de formação inicial e continuada dos
professores compromete a oferta e implementação de uma educação de qualidade que seja
capaz de inserir esses jovens e adultos na sociedade e mercado de trabalho. O
embasamento teórico está fundamentado em autores como em Freire, Soares, Haddad, Di
Pierro, Paiva, Ireland, Montaño, Araujo e Dourado, dentre outros.