Profmat e o desenvolvimento profissional docente: possibilidades e desafios
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As políticas brasileiras no campo da Educação, a partir dos anos 1990, são caracterizadas pelo
alinhamento aos ditames capitalistas neoliberais, difundidos em âmbito mundial a partir dos
processos de globalização. Têm-se na formação docente o primado do desenvolvimento de
competências e a utilização de mecanismos de formação massiva e com otimização de custos.
Nesse contexto, este trabalho, de natureza qualitativa, tem como objeto de estudo o Mestrado
Profissional em Matemática em Rede Nacional - Profmat -, criado em 2010 como a primeira
pós-graduação brasileira stricto sensu semipresencial destinada à formação continuada de
professores atuantes na educação básica. O objetivo geral desta pesquisa é investigar
elementos que evidenciem a relação entre o Profmat e o desenvolvimento profissional docente
para atuar nos ensinos fundamental e médio. O estudo se insere na Linha de Pesquisa
“Desenvolvimento Profissional, Trabalho Docente e Processo Ensino-Aprendizagem”, do
Programa de Pós-Graduação em Educação da Uniube. Utilizou-se a triangulação de fontes:
bibliográfica, documental e pesquisa de campo. Contextualizou-se o Profmat no cenário de
políticas que, a partir dos anos 1990, caracteriza-se por novos caminhos na gestão
educacional, de acordo com autores como Paiva, Pino, Leher, Soares, Torres, Coraggio e
Maués, entre outros nos quais se buscou respaldo para caracterizar o pós-crise do Welfare
State nos países capitalistas. Realizou-se pesquisa de campo, para retratar as percepções dos
discentes do Profmat Polo Uberaba/MG, turmas 2011 a 2013, a respeito da pertinência entre o
projeto pedagógico do referido mestrado e a docência na educação básica, documentando
também as relações destes pós-graduandos com as plataformas de ensino semipresenciais,
motivos de evasão, expectativas profissionais e apropriações de conhecimento proporcionadas
pelo Programa. Foram aplicados questionários a 32 participantes e os resultados foram
aprofundados em 11 entrevistas semiestruturadas, interpretadas a partir dos pressupostos da
análise de conteúdos conforme Bardin, Minayo e Osgood. Para composição do conceito de
desenvolvimento profissional, apoiou-se nas proposições de Marcelo Garcia. Os perfis
docentes, do especialista técnico ao professor reflexivo, são conceituados de acordo com as
obras de Schön, Contreras Domingo, Giroux e Zeichner. Os resultados da pesquisa de campo
apontaram que o Profmat favorece o aumento dos saberes docentes específicos de
matemática, com foco em demonstrações e resoluções de exercícios, delegando à prática da
sala de aula o desenvolvimento de outros saberes necessários à docência na escola básica,
como os ligados à didática. A formação oferecida no Profmat possui nível de complexidade
suficiente para preparar os docentes, também, para o magistério de disciplinas matemáticas
em cursos no ensino superior. Contudo, 54,5% dos entrevistados indicam que os conteúdos
não são aplicáveis na educação básica da maneira como são ensinados no Profmat, já que o
Programa não se preocupa com a questão da transposição didática e apresenta conteúdos de
maneira muito complexa. Depreende-se, a partir dos depoimentos coletados, que o nível de
complexidade do Profmat não o caracteriza como uma formação aligeirada ou uma
certificação massiva, mas o Programa tem adotado critérios eliminatórios que resultam em
alta evasão. Os objetivos pretendidos, por sua vez, parecem comprometidos, uma vez que
81,8% dos entrevistados querem deixar a educação básica no futuro imediato ou após o
término do termo de compromisso de cinco anos de permanência. O desenvolvimento
profissional favorecido pelo Programa aproxima os profissionais do perfil especialista técnico,
em detrimento dos perfis reflexivo, pesquisador ou intelectual crítico.