O COMPONENTE CULTURAL EM PROJETOS PEDAGÓGICOS DE CURSOS DE FORMAÇÃO DOCENTE EM LETRAS – ESPANHOL
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Resumo
Este estudo foi desenvolvido no âmbito da linha de pesquisa “Desenvolvimento Profissional,
Trabalho Docente e Processo de Ensino-Aprendizagem”, do Doutorado em Educação da
Universidade de Uberaba (UNIUBE). O objetivo foi compreender o papel e o lugar do
componente cultural nos PPC - Projetos Pedagógicos do Cursos de Licenciatura em Letras –
Espanhol, que obtiveram índice 5 no ENADE, realizado em 2017, no contexto do ensino da
língua no Brasil. Compuseram o universo de estudo os PPC da Universidade Federal da
Fronteira Sul (UFFS), campi de Chapecó/SC e Realeza/PR; da Universidade Federal de Juiz de
Fora (UFJF); da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e da Universidade Federal
Rural de Pernambuco (UFRPE). Trata-se de uma pesquisa no campo da abordagem qualitativa
de pesquisa em educação. Como procedimentos, foram adotados: a) análise documental, a
partir das cinco dimensões mencionadas por Cellard (2012, 299-303); b) pesquisa
bibliográfica. Os estudos foram realizados em ambientes digitais, conforme a nova realidade
mencionada por Deslandes e Coutinho (2020, p. 04), uma vez que ocorreram no contexto da
Pandemia de COVID-19, nos anos 2020-2022. A hipótese elaborada foi a de que, mesmo nos
cursos com os melhores índices no ENADE, os Projetos Pedagógicos apresentavam lacunas
quanto à formação dos futuros professores para o trabalho com o componente cultural. Como
objetivos específicos, foram delineados: contextualizar os percursos, os marcos históricos,
jurídicos e normativos do ensino da língua espanhola na história da educação escolar brasileira;
caracterizar o cenário das Licenciaturas em Letras-Espanhol no Brasil no tempo presente;
mapear o estado do conhecimento sobre a formação de docentes de língua espanhola, bem como
sobre a presença do componente cultural na formação inicial de professores nos Cursos de
Licenciatura em Letras – Espanhol; a partir da literatura sobre o tema, com destaque para
Sánchez (2009) e Benito (2009), e das normas educacionais, conceituar “componente cultural”
e identificar possibilidades de abordagem nas aulas de língua espanhola e na formação de
professores; identificar e caracterizar os Projetos Pedagógicos das instituições selecionadas;
analisar o lugar, o papel e a abordagem do componente cultural nos Projetos Pedagógicos dos
cursos investigados. O estudo evidenciou que: 1) no percurso histórico da educação, a presença
do ensino da língua espanhola ocorreu em curtos interstícios de tempo e espaço, decorrentes de
mudanças legais em 1942 e em 2005, que tornaram obrigatória a oferta do espanhol na educação
básica, porém perduraram pouco mais de uma década. Ressalva-se que, nas escolas militares,
o ensino de língua espanhola teve, historicamente, um espaço mais relevante quando comparado
com as demais instituições de ensino; 2) o cenário atual das licenciaturas evidenciou uma
tendência de concentração da oferta de vagas em cursos na modalidade EAD, bem como a
influência da localização territorial na oferta de cursos, nos estados que fazem fronteira com
países hispanofalantes; 3) nas bases de dados investigadas não se identificaram produções
acadêmicas sobre o tema desta tese, tendo sido selecionadas, porém, quarenta e cinco produções
que dialogam com a base teórica do estudo; 4) em diálogo entre a literatura, as normas
educacionais brasileiras e as diretrizes da Comunidade Europeia, foram construídas sete
categorias (competências/habilidades) para proceder à análise dos Projetos Pedagógicos quanto
ao componente cultural: a) conhecer as principais manifestações culturais dos países de língua
espanhola; b) compreender o componente cultural, incluindo a questão da interculturalidade, e
x
sua importância no ensino de idiomas; c) habilitar-se para ser um constante aprendiz cultural;
d) habilitar-se para ser um mediador e um incentivador cultural; e) compreender e dominar os
métodos e ferramentas de trabalho do componente cultural; f) aprender a conhecer e trabalhar
as variações linguísticas; g) conhecer a história e o papel atual da língua espanhola no mundo.
Foram então identificados e caracterizados os Projetos Pedagógicos dos Cursos de Letras –
Espanhol investigados. A análise dos PPC, tendo como parâmetros essas
competências/habilidades, revelou que o componente cultural ocupa um lugar marcado por
lacunas que podem ser preenchidas, de maneira a ampliar as possibilidades de uma formação
cultural mais abrangente dos docentes de língua espanhola. Conclui-se que os objetivos foram
alcançados, tendo a hipótese sido parcialmente confirmada. Reconheceu-se, ao final, que os
PPC demonstram projetos formativos de excelência. Ainda assim, a expectativa é que este
estudo contribua para o debate e construção de projetos pedagógicos nos quais o componente
cultural se consolide como parte indissociável da formação de professores de espanhol.