OS OBJETOS DE APRENDIZAGEM NO ENSINO DA MATEMÁTICA: O ESTADO DO CONHECIMENTO NO PERÍODO DE 2013 a 2018
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Resumo
Esta pesquisa insere-se na Linha de Pesquisa Desenvolvimento Profissional, Trabalho Docente e
Processo de Ensino-Aprendizagem e no Projeto de Pesquisa, “Conteúdos algébricos no ensino
médio: discussões e propostas na perspectiva da teoria histórico cultural”, aprovado pela
FAPEMIG, conforme Edital Nº 001/2017 - Demanda Universal. As tecnologias e os ambientes
virtuais fazem parte do dia a dia dos nossos alunos e há um esforço para que sejam incorporados às
práticas pedagógicas. No ensino de matemática, há essa preocupação presente desde as últimas
décadas do século passado, com a busca pela inovação das práticas dos docentes que atuam na
educação básica, principalmente nos anos finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio. Porém,
no que se refere ao uso das tecnologias, ainda, prevalece uma visão que coloca as tecnologias no
centro, esvaziadas de sentido pedagógico e cultural. Em relação ao ensino da Matemática, convive se com resultados negativos que têm sido alcançados por estudantes brasileiros em avaliações
externas e internas, tais como ENEM, PISA, SAEB e Simave, o que justifica investir em pesquisas
e práticas mais eficazes para o seu ensino-aprendizagem. No contexto das inovações tecnológicas
surgem, desde o início do século XXI, os chamados Objetos de Aprendizagem - OA, recursos
digitais dinâmicos, interativos e reutilizáveis desenvolvidos para fins educacionais, disponíveis em
repositórios nacionais e internacionais. A pesquisa, visando a criação e a aplicação de tais objetos,
também se faz presente em Programas de Pós-Graduação no campo educacional. Nesse contexto,
esta pesquisa do tipo “Estado do Conhecimento” tem o objetivo de mapear os trabalhos acadêmicos
(teses e dissertações) que tratam o processo ensino-aprendizagem da Matemática com o uso de
Objetos de Aprendizagem, no período de 2013 a 2018, identificando possibilidades e desafios para
o seu uso. O levantamento dos dados foi realizado no Catálogo de Teses e Dissertações da CAPES,
no recorte temporal de 2013 a 2018. O estudo fundamentou-se teoricamente em Freire (1987),
Vigotiky (2001) para a concepção de educação e de ensino-aprendizagem; em Peixoto (2011, 2015,
2016), Lévy (1998), Kenski (2007), Borba (2016), e Sá Filho (2003 e 2006), Peixoto, Echalar e
Carvalho (2015), para discutir sobre tecnologias digitais na educação; e, em Wiley (2000), Audino
(2012), Assis (2005), para tratar sobre os Objetos de Aprendizagem. Foram selecionados 17
trabalhos que correspondiam aos objetivos da pesquisa. Dentre os resultados, pode-se afirmar que
esses trabalhos estão sendo realizados, em sua maioria, em mestrados profissionais, com o objetivo
de criar e/ou aplicar Objetos de Aprendizagem, ligados a temas de álgebra e geometria, mais
voltados para o ensino médio do que para o ensino fundamental. Dentre as possibilidades,
constatou-se que os OA e a organização didática correspondente contribuíram para a aprendizagem
dos alunos, na medida em que criaram necessidades para o envolvimento deles, transformou-os em
sujeito do processo, permitiu o desenvolvimento de capacidades psíquicas superiores. Também
contribuíram para uma prática pedagógica mais dinâmica, que valoriza os conhecimentos prévios
dos alunos, o trabalho coletivo e, principalmente, a investigação. Além disso, os OA, no contexto
de uma organização adequada do ensino, contribuíram para a apropriação de conhecimentos
matemáticos e a atribuição de significados a eles. Em relação aos desafios, identificou-se a
necessidade de que os OA e as organizações didáticas passem por aperfeiçoamento e
complementação; como, também, o desafio da organização de uma prática pedagógica que dê
sentido para a atividade, lembrando que essa é uma tarefa complexa, pois envolve o professor, os
alunos, os conteúdos e os artefatos mediadores, situados num contexto histórico e cultural.