A FORMAÇÃO DA CIDADANIA NO ENSINO FUNDAMENTAL, UMA FINALIDADE EM CONSTRUÇÃO
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Resumo
Propõe-se com este estudo a discussão sobre as finalidades da educação, em particular a
formação para a cidadania no âmbito do Ensino Fundamental. Inserida na linha de
pesquisa “processos educacionais e seus fundamentos”, a pesquisa aqui apresentada explora
este problema: a escola e os professores se empenham em fomentar a formação para a
cidadania no processo de escolarização de crianças dos dois primeiros anos do Ensino
Fundamenta (6 e 7 anos)? Em que sentido se empenham? O objetivo geral da pesquisa foi
compreender em que sentido o aluno dos dois primeiros anos do Ensino Fundamental é
preparado, pelo professor, para o exercício da cidadania e como acontece a formação para tal
exercício na sala de aula e na escola. Os objetivos específicos foram discutir o conceito de
cidadania que se revela como uma construção histórica; discutir a finalidade da escola no
contexto contemporâneo, articulando-a à finalidade da educação no tocante à construção da
cidadania; relacionar a formação para o exercício da cidadania com os aspectos do
desenvolvimento da criança nos dois primeiros anos do Ensino Fundamental; enfim,
compreender as dificuldades e contradições que permeiam a formação para a cidadania na
escola e na sala de aula. Partiu-se da hipótese de que a escola se ocupa dessa formação, assim
como os professores e professoras, porém essa formação se dá em meio a tensões, conflitos e
contradições. Trata-se de pesquisa qualitativa — um estudo de caso — cuja metódica incluiu
a pesquisa bibliográfico-documental, além de entrevistas e de grupos focais. Teve como
norteamento a hermenêutica de Gadamer (2008; 2010) e, como referencial teórico, o
materialismo histórico e dialético. A pesquisa bibliográfica está ancorada, no que se refere à
cidadania, em Marshall (1967), Ferreira (1993), Pinsky (2003), Carvalho (2014); à escola, em
Lobrot (1992), Araújo (2000), Sacristán (2011), Dubet (2011); à infância, em Wallon (1968),
Vigotski (1998), Leontiev (1998), Piaget (1999), Larrosa (2006), Khoan (2015) e outros. Os
resultados comprovam a hipótese e situam conflitos e contradições relativos à relação da
escola com a instituição-educação e o Estado e suas diretrizes, à própria escola, à função
docente, à realidade dos alunos e alunas e à relação com os pais e família. Uma das
conclusões aponta o distanciamento entre o que é professado pelas leis e diretrizes da
educação nacional e o que acontece na realidade cotidiana da unidade escolar e da sala de
aula. Outra se refere à necessidade de formação e aprofundamento conceitual de cidadania e
de sua relação com o conhecimento pela escola e pelos professores.