ATIVIDADES PRÁTICAS POR MEIO DE SEQUÊNCIAS DE ENSINO INVESTIGATIVAS: POSSIBILIDADES PARA ENSINAR E APRENDER CIÊNCIAS NO ENSINO FUNDAMENTAL II
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Resumo
O presente estudo foi desenvolvido no Programa de Pós-Graduação Profissional em Educação:
Formação Docente para Educação Básica, da Universidade de Uberaba (UNIUBE) e está
inserido na linha de pesquisa “Práticas Docentes para Educação Básica”. O objetivo foi
investigar e analisar as potencialidades de atividades práticas elaboradas por meio da
metodologia das Sequências de Ensino Investigativas (SEI) para ensinar e aprender Ciências
no Ensino Fundamental II. A pesquisa foi desenvolvida por meio de uma revisão bibliográfica
e documental, analisando autores que tratam de características, relevância e implementação da
metodologia SEI, como Sasseron (2011, 2015, 2016, 2018); Carvalho (2011, 2013, 2018, 2020)
e Sperandio (2021), em consonância com as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular -
BNCC (Brasil, 2018) e com o ensino de Ciências, conforme Cachapuz et al. (2011) e Almeida;
Silva (2022). Apesar de a BNCC ressaltar a relevância do ensino investigativo, sua efetivação
enfrenta desafios significativos. Um dos obstáculos é a escassez de atividades práticas
adequadas nos livros didáticos, conforme afirmam Krasilchik (2012) e Silva; Trivelato (2017).
Muitas propostas disponíveis carecem de profundidade investigativa e não contemplam as
etapas para o desenvolvimento da alfabetização científica. Essa limitação pode comprometer o
aprendizado prático dos alunos, afetando diretamente o desenvolvimento de habilidades
cognitivas e socioemocionais, estabelecidas pela BNCC. Diante disso, foi feita uma análise
crítica dos volumes do 6º e do 7º Ano da Coleção Araribá Conecta Ciências (Araribá Conecta
Ciências 2022a, 2022b), para identificar potencialidades e limitações na oferta de atividades
práticas de cunho investigativo nessas obras. Além disso, foi elaborado como produto
educacional o guia Ciências em Ação, com 05 sequências didáticas baseadas na metodologia
das SEI, servindo como um apoio aos docentes para trabalharem melhor com a abordagem
investigativa, de forma mais consistente no cotidiano escolar. Isso possibilita aos alunos
vivenciarem todas as etapas do método científico: problematização, formulação de hipóteses,
análise e interpretação de dados, elaboração de conclusões e comunicação de resultados. A
contribuição positiva das atividades práticas baseadas nas Sequências de Ensino Investigativas
se mostrou evidente neste trabalho: elas são essenciais para promover uma aprendizagem mais
ativa e significativa dos conteúdos de Ciências, com grande potencial interdisciplinar. Contudo,
para essa abordagem ser implementada com eficácia, é necessária uma reformulação nos
materiais didáticos, assegurando que eles ofereçam atividades bem elaboradas e estruturadas,
em conformidade com a BNCC. Mostrou-se importante a formação continuada dos docentes,
para que consigam superar os desafios do contexto escolar e apliquem adequadamente essas
atividades investigativas. Por fim, a pesquisa demonstrou que, embora as diretrizes curriculares
estejam presentes nos livros didáticos analisados e que haja um esforço destes em dialogar com
a BNCC e com as práticas para a alfabetização científica, a implementação bem-sucedida do
ensino investigativo por meio das SEI requer uma abordagem pedagógica mais reflexiva e
voltada para o desenvolvimento de práticas investigativas na escola. Nesse sentido, recomenda se que educadores e criadores de materiais didáticos promovam uma integração mais profunda
dessa metodologia no ensino de Ciências, de modo a garantir que os alunos do Ensino
Fundamental II possam vivenciar o processo científico de maneira plena e significativa.