LEITURA E ESCRITA NO 3º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL DE UMA ESCOLA PÚBLICA DO MUNICÍPIO DE UBERLÂNDIA-MG: alfabetização de alunos, em tempos de impactos da pandemia e pós-retorno das aulas presenciais
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Resumo
Esta pesquisa analisa os resultados da proficiência em leitura e escrita, com base nas
orientações e materiais disponibilizados pela Prefeitura Municipal de Uberlândia/Secretaria
Municipal de Educação (PMU/SME), para alfabetizar alunos do 3º ano do ensino
fundamental, no retorno às aulas presenciais e final do ano letivo do ano de 2022, destacando
concepções de alfabetização, orientações e seus significados para o ensino e aprendizagem
da leitura e escrita. Essa investigação está vinculada à linha de pesquisa Práticas Docentes
para a Educação Básica, do Programa de Pós-Graduação em Educação: formação docente
para a Educação Básica – Mestrado Profissional, ao Grupo de Pesquisa Formação Docente,
Direito de Aprender e Práticas Pedagógicas- FORDAPP, à Rede Cooperativa de Ensino,
Pesquisa e Extensão em Escolas de Educação Básica - RECEPE - e ao Projeto Guarda-chuva,
intitulado “Pesquisa, Formação e Intervenção na Educação: estudos em contextos educativos
escolares e não escolares. Os questionamentos foram: quais são os resultados dos discentes,
do 3º ano do ensino fundamental, em relação à proficiência em leitura e escrita, no pós pandemia do Covid-19, e as concepções de alfabetização presentes nas orientações e nos
materiais, disponibilizados pela PMU/SMU, para alfabetizar alunos de uma escola da rede
pública municipal de ensino de Uberlândia-MG, no retorno às aulas presenciais e no final
do ano letivo do ano de 2022? Há aproximações e afastamentos entre as concepções e
orientações sobre alfabetização presentes nos materiais disponibilizados e no Projeto
Político Pedagógico (PPP)? Essa pesquisa, com enfoque qualitativo, contemplou revisão
bibliográfica e pesquisa documental, realizada no primeiro semestre de 2022, ancorada nas
elaborações de Saviani (2007), Vygotsky (1991), Ferreiro e Teberosky (1999), Freire (1989)
e Soares (2004), acerca de educação e alfabetização, e nas elaborações de Cellard (2008)
sobre pesquisa documental. As análises dos resultados dos diagnósticos sobre proficiência
em leitura e escrita, como uma das ações do Programa IAB, apresentaram: compreensão,
96,30% de aproveitamento, consolidado 77,16%, decodificação 73,46% e fluência 66,05%,
indicando avanços, quando comparados aos resultados do início do ano letivo de 2022.
Entretanto, os resultados da análise do livro, utilizado para a elaboração dos testes de leitura
nesses mesmos quesitos, mostraram que, levando em consideração o previsto para o 3º ano,
no PPP e na BNCC (compreensão, autonomia, inferências e antecipações, antes e durante a
leitura) não foi alcançado. O referido livro não traz situações fomentadoras dessas
habilidades e a concepção de alfabetização é centrada na decodificação e afastada da
realidade do alfabetizando. Além disso, os testes de escrita livre e a produção textual não
foram frequentes nos materiais de apoio analisados, dificultando a avaliação do
desenvolvimento da escrita livre das crianças e capacidade de elaboração. Por conseguinte,
conforme análise dos resultados articulados da pesquisa, foi possível afirmar que o processo
de ensino, desenvolvido por meio do Programa IAB de língua portuguesa, não fortaleceu a
alfabetização e o letramento do público-alvo dessa pesquisa, conferindo centralidade na
decodificação, afastando-se do descrito na BNCC, nas Diretrizes Curriculares, no PNE, no
PPP e no PME, no que se refere, especialmente, à concepção de alfabetização, vinculada à
formação crítica do leitor-autor.