ESTUDO DA VIABILIDADE TÉCNICA DO REÚSO DE ÁGUA DE ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ESGOTO EM ATIVIDADES URBANAS NÃO POTÁVEIS NO MUNICÍPIO DE UBERABA – MG

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Este estudo investigou a viabilidade técnica e operacional da implantação de um sistema de reúso de água para fins urbanos não potáveis no município de Uberaba (MG), utilizando como unidade geradora o efluente tratado da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Francisco Velludo. Frente ao cenário atual de mudanças climáticas e aos recorrentes períodos de estiagem severa que reduzem criticamente a vazão do rio Uberaba — principal manancial de abastecimento público local —, a pesquisa buscou propor uma alternativa estratégica fundamentada nos princípios da economia circular e da gestão sustentável dos recursos hídricos. O objetivo principal consistiu em caracterizar a disponibilidade volumétrica e qualitativa da estação, além de estimar a demanda potencial para atividades de manutenção infraestrutural e higiene pública realizadas pela Companhia Operacional de Desenvolvimento, Saneamento e Ações Urbanas (CODAU), com o intuito de substituir o uso de água nobre tratada por Água de Reúso Não Potável (ARNP). A metodologia adotada compreendeu a análise sistemática dos dados operacionais de vazão e dos parâmetros físico-químicos e microbiológicos da ETE ao longo do ano de 2025. Adicionalmente, quantificou-se a demanda municipal por meio do mapeamento de área das feiras livres semanais e do levantamento de ordens de serviço (OS) de caminhões de hidrojateamento para a desobstrução de redes coletoras. A demanda anual elegível para lavagem de vias e hidrojateamento totalizou 61.512,85 m³, o que representa uma economia direta de água potável. No entanto, a alta concentração média de Escherichia coli (1,02x10^6 NMP/100 mL) restringe o efluente bruto apenas às modalidades agrossilvipastoril e ambiental limitadas, conforme os critérios da Deliberação Normativa CERH-MG nº 65/2020. Para que seja possível utilizar o efluente tratado da ETE Francisco Velludo em outras modalidades de água de reúso, é necessária a redução do parâmetro de E.Coli e, por isso, foram conduzidos ensaios laboratoriais com substrato cromogênico e dosagens variadas de hipoclorito de sódio a 12% para avaliar a eficiência de inativação microbiológica e a manutenção de cloro residual livre. Os testes de desinfecção, removeram mais de 99,98% da carga bacteriana, mas falharam em garantir o residual de cloro exigido para o transporte seguro. Conclui-se que a ETE Francisco Velludo apresenta viabilidade técnica para o fornecimento de Água de Reúso Não Potável, desde que incorporada uma etapa complementar de desinfecção por cloração. Ao integrar a caracterização da disponibilidade hídrica, a quantificação da demanda urbana e a validação experimental de uma alternativa para adequação VII microbiológica do efluente, o estudo fornece uma base técnico-científica para a implantação de programas de reúso em Uberaba e em outros municípios com desafios semelhantes de segurança hídrica, contribuindo para a conservação da água potável e para uma gestão mais sustentável dos recursos hídricos.

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Pesquisa efetuada em parceria com empresa: integração Universidade e Companhia Operacional de Desenvolvimento, Saneamento e Ações Urbanas - CODAU.

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