ARQUIVOS DA HISTÓRIA E HISTÓRIAS DE VIDA: diálogos com a Educação Popular
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Resumo
A Educação Popular é uma práxis que contribui para que as pessoas possam “tomar a história
nas mãos”, na luta por garantir que as parcelas discriminadas da sociedade tenham direito à
vez e voz, denunciando práticas opressoras e anunciando formas de superação da realidade.
Na perspectiva de visibilizar histórias dos negros escravizados da região de Uberaba-MG, o
que se percebe nos arquivos da história e nas histórias de vida é um esvaziamento dos
elementos culturais de sustentação da identidade do povo, o que contribuiu para reduzir as
condições próprias para o trabalho político de sua luta. Os negros outrora escravizados, hoje
libertos e marginalizados, fazem parte da sociedade e ainda carregam as marcas do
preconceito e da exclusão social. Em Uberaba, esse quadro não é diferente. Dessa forma, a
presente pesquisa teve como objetivo geral resgatar a história da escravidão em Uberaba,
arquivada em documentos e na memória de poucos para, em seguida, colocá-la em diálogo
com alguns pilares da Educação Popular,com a finalidade de pensar novas práticas
pedagógicas – escolares ou não –, que tenham sentido e significado com relação ao que se
aprende, a quem aprende e com quem aprende. Teve-se como objetivos específicos: levantar e
analisar os documentos que registram a história da escravidão em Uberaba, constantes no
Arquivo Público da cidade; compartilhar histórias de vida que remontam ao período da
escravidão na região e estabelecer um diálogo com as premissas da Educação Popular, entre
elas: a autonomia, a emancipação, a crítica e a reflexão.A metodologia da pesquisa teve como
base a pesquisa documental e as histórias de vida e está dividida em três momentos: no
primeiro deles, foi feito o levantamento e análise de documentos constantes no Arquivo
Público de Uberaba, que tratam da escravidão nesse município; no segundo momento, foi
ouvida a história da senhora Maria Luzia, moradora da cidade, neta de escravos.No terceiro
momento, os dados levantados foram analisados a partir de seus conteúdos, e organizados em
eixos temáticos previamente estabelecidos, quais sejam: escravidão, dominação, resistência,
libertação e educação.Nesse sentido, espera-se que essa pesquisa possa contribuir para um
olhar mais aprofundado e crítico sobre a realidade que vivemos, a ponto de questioná-la, para,
a partir disso, buscar por transformações que visam à felicidade, à autonomia e à educação
como prática da liberdade.