CONCEPÇÕES DE PROFESSORAS DA EDUCAÇÃO INFANTIL SOBRE DESENVOLVIMENTO INFANTIL, ATIVIDADE E LINGUAGEM
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Resumo
As concepções de desenvolvimento infantil, atividade, linguagem são fundamentais para a formação
de professores e o trabalho docente na Educação Infantil. Este estudo tem como objetivo analisar as
concepções de desenvolvimento infantil, atividade e linguagem de 11 professoras de uma escola da
Rede Municipal de Educação Infantil de Uberaba-MG. Insere-se na linha de pesquisa
Desenvolvimento Profissional, Trabalho Docente e Processo de Ensino-Aprendizagem e integra o
projeto institucional A Constituição Autora e Leitora no Processo de Apropriação da Escrita na
Educação Infantil, do Grupo de Estudos e Pesquisas Infância e Contextos Educativos (GEPICE).
Trata-se de uma pesquisa qualitativa, na perspectiva histórico-cultural, particularmente, a Escola de
Vigotski, com foco em três macrocategorias –. Foi aplicado um questionário com três questões abertas
para onze professoras da escola-campo e realizada a análise documental de três documentos oficiais,
as Matrizes Curriculares para a Rede Municipal de Ensino de Uberaba, o Projeto Político
Pedagógico da escola-campo, o Plano Anual de Ensino Pré II, com a finalidade de compreender como
as concepções de desenvolvimento infantil, atividade, linguagem são concebidas pelas professoras e
tratadas nos documentos oficiais. A análise dos documentos oficiais evidencia que o desenvolvimento
infantil não é visto como um processo de todas as funções psicofisiológicas integradas da criança e
relacionado ao processo de ensino e aprendizagem. Em relação à concepção de atividade, os
documentos oficiais não diferenciam atividade de ação, também não se destaca o papel da atividade do
brincar para o desenvolvimento infantil. Portanto, apresentada de forma fragmentada e sem relação
com o desenvolvimento da criança, não traz uma concepção clara para subsidiar o trabalho docente.
Quanto à concepção de linguagem, os documentos oficiais se referem a linguagens múltiplas, não
diferenciando a linguagem verbal de outras formas de expressão. Destaca-se a função comunicativa,
sem mencionar outras funções importantes como a função mnemônica, a função nominativa, a função
simbólica. O papel mediador da linguagem como instrumento cultural mediador no desenvolvimento
infantil não é mencionado. Em relação à linguagem escrita, apresenta-se o sistema de representação
escrita no nível silábico e sua relação com a fala em substituição à escrita em sua funcionalidade
social. A análise dos dados dos questionários aplicados às professoras mostra que o desenvolvimento
infantil é visto como um conjunto de fases, etapas ou estágios que se sucedem linearmente no
desenvolvimento da criança, provocando mudanças físicas, psicológicas, emocionais, cognitivas,
afetivas. A atividade é frequentemente associada a movimento, ação e voltada para o desenvolvimento
de habilidades. A linguagem é relacionada com o desenvolvimento infantil, mas não se explicita essa
relação, restringindo-a a meio de comunicação e forma de expressão. O foco da linguagem assenta-se
no código linguístico, embora seja mencionado seu papel de interação, ao apontar as múltiplas
linguagens que devem ser apresentadas às crianças, contudo essas linguagens não são diferenciadas
quanto à sua função. A escrita é tratada como uma simples representação da fala, consequentemente,
não se explicita sua complexidade e sua relação com o desenvolvimento infantil. A comparação dos
dados analisados nos documentos com as respostas dos questionários aponta indícios que as
professoras refletem em suas respostas o que dizem os documentos oficiais sobre desenvolvimento
infantil, atividade, linguagem. Conclui-se que, de um lado, os documentos oficiais não propiciam aos
professores as concepções de desenvolvimento infantil, atividade e linguagem necessárias para o
planejamento das atividades pedagógicas com as crianças; de outro, as professoras reproduzem em
suas falas o que está posto nos documentos oficiais, repetindo no planejamento de suas atividades o já
dito nas matrizes curriculares. O estudo apontou a necessidade de repensar a formação de professores,
para isso é preciso uma base científica cujos fundamentos teóricos e metodológicos, postos nos
documentos norteadores dos professores, deem sustentação ao trabalho docente.