TECNOLOGIAS DIGITAIS E TRABALHO DOCENTE: relações e paradoxos
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Resumo
Com o avanço da inserção das chamadas tecnologias digitais da informação e comunicação
(TDIC), a educação e o trabalho docente vêm sendo reconfigurados. Daí advém novas
situações que representam um desafio constante para atuação profissional de professores. Tal
quadro implica mudanças na forma de aprender, de ensinar e de se relacionar. Nessa direção,
esta pesquisa, de natureza quanti-qualitativa, vincula-se à linha de pesquisa Desenvolvimento
profissional, trabalho docente e processo de ensino-aprendizagem e busca responder à
seguinte questão: Que implicações e paradoxos a utilização de tecnologias digitais no
processo de ensino aprendizagem traz ao trabalho docente, dentro e fora da sala de aula?
Orienta-se pela hipótese de que as tecnologias digitais, por si só, não contribuem para o
processo de ensino-aprendizagem, mesmo afetando diretamente o trabalho docente, uma vez
que sua efetividade está condicionada à formação profissional de professores, ao contexto de
sua aplicabilidade e às expectativas e demandas da sociedade em relação aos seus
usos. O objetivo geral é analisar as implicações e os desafios relacionados à inserção das
tecnologias digitais no trabalho docente. São objetivos específicos: conhecer as
concepções que os professores possuem sobre o potencial didático-pedagógico das
tecnologias digitais; entender as indagações e curiosidades dos docentes frente às
possibilidades e limites no atinente à utilização de tecnologias digitais fora da sala de aula;
e, analisar de que forma os docentes criam espaços para a inserção dos recursos midiáticos,
informacionais e virtuais dentro e fora das salas de aula e de que maneira isso contribui para a
construção do processo de ensino-aprendizagem. O referencial teórico apoia-se em autores,
como Castells (2003; 2005), Fazenda (1992), Levy (1993; 2003), Kenski (1998; 2003; 2009),
Moran (1998; 2000; 2003; 2004; 2012), que abordam aspectos relacionados à educação e
tecnologia, além de Gadotti (2000), Morin (2005), Belloni (2002), Barreto (2003; 2004;
2008), França (2009), Freire (1996), Giroux (1997), Lourenço Filho (1978), Nóvoa (1991;
1995), Perrenoud (2002), Pretto (1999; 2006), Sancho (1998), Scheibe (2010), Teixeira
(2011), Vermelho (2001) e Zuin (2006; 2010) que discutem o tema educação e suas
transformações. A metodologia incluiu estudos bibliográficos, com destaque para os trabalhos
apresentados nos GT16 Educação e Comunicação, da ANPEd e publicações disponibilizadas
no site da SciELO. Teve como participantes 45 docentes e de 244 discentes do Centro
Universitário do Planalto de Araxá – UNIARAXÁ, que responderam questionários
eletrônicos e impressos, estruturados para a coleta de dados. Dentre os resultados alcançados
destacam-se, de um lado, a necessidade de investimento na formação dos professores para o
uso das TDICs, a necessidade de uma reflexão sobre tantos investimentos realizados em
equipamentos e disponibilizados aos professores e, por outro lado, a falta de incentivo
e disponibilização de horas de dedicação ao professor para utilizar tais tecnologias ou planejar
suas aulas e ainda, a falta de conhecimento das TDIC “como recursos didático-pedagógicos”
por parte dos professores e dos alunos. Conclui-se que há a necessidade de outros estudos
para uma melhor análise sobre o fato de que as tecnologias usadas para fins educacionais
ampliarem as possibilidades de o professor motivar os seus alunos, embora, como constatado
no material empírico, alunos e professores necessitem de um letramento e uma alfabetização
midiática e informacional.