TRABALHO E FORMAÇÃO DOCENTE EM TEMPOS GLOBAIS E A CONSTITUIÇÃO DE ADMINISTRADORES PROFESSORES
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Resumo
Um novo mundo e uma nova realidade se configuram desde meados do século XX,
provocando alterações no mundo do trabalho e gerando novas relações de poder. Com a
afirmação da globalização, novos paradigmas e perspectivas emergem na
contemporaneidade, mas, sem as certezas do período moderno. O ser professor e sua
profissionalidade; a intencionalidade e o profissionalismo; o trabalho docente (invisível e
visível); a cotidianidade e a docência são questões tratadas nesta dissertação sob a
perspectiva de Morin, Ball, Perrenoud, Tardif, Contreras e Shön. Foram considerados os
conflitos e possibilidades para se desenvolver as competências necessárias para ser um
‘bom’ professor e a interferência de órgãos internacionais na política educacional do
Brasil. Esta dissertação apresenta um estudo de abordagem qualitativa sobre a necessidade
de uma formação docente para o professor administrador frente ao contexto em que o
Ensino Superior de Administração no Brasil se insere e suas conseqüências para os futuros
administradores. Para tanto, foi desenvolvido o estudo de caso e aplicada a técnica da
triangulação para o estudo de um Centro Universitário particular que oferece o curso de
Administração noturno. A coleta incluiu dados de pesquisa documental pela análise da
história e do Projeto Pedagógico do curso e o PDI da Instituição; entrevista
semiestruturada com a direção da instituição; desenvolvimento do grupo focal com os
professores de administração da IES; aplicação de questionários de pesquisa junto aos
egressos do referido curso. Dentre os resultados, tem-se que a Pedagogia no contexto de
mudanças contemporâneas sociais, econômicas, políticas e culturais, vem buscando
caminhos que contribuam diretamente com a performance do profissional de ensino, mas
luta para não descaracterizar-se diante as pressões do mercado. O Administrador-Professor
não tem conhecimento das possibilidades que o debate da educação oferece, mas percebe
que esta ciência poderia dar contribuições efetivas para o seu desempenho em sala de aula.
Daí advém investimentos que as IES particulares e o Estado não estão necessariamente
dispostos a assumir, imputando a responsabilidade por sua formação ao profissional
professor. O modelo de mercado está de tal modo entranhado na IES e por elas absorvido
que cada agente do processo educativo assimila que deve arcar com sua quota de
investimento para se formar como profissional do futuro. No caso de não haver pleno
sucesso, é à IES que se imputa a maior parcela de responsabilidade na percepção dos
mesmos agentes.