TEXTOS MANUSCRITOS E DIGITAIS: APROPRIAÇÃO DA ESCRITA POR CRIANÇAS DE 3º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL
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Resumo
O objetivo desta pesquisa foi compreender o processo de apropriação da linguagem escrita
por crianças de uma turma de 3º ano do ensino fundamental em situações de produção de
textos manuscritos e digitais, em uma escola da Rede Municipal de Educação de Uberlândia-MG. Trata-se de uma investigação vinculada ao projeto de pesquisa A formação da atitude
autora e leitura no processo de apropriação da escrita na educação infantil, coordenado pela
professora Ana Maria Esteves Bortolanza, na linha de pesquisa Desenvolvimento profissional,
trabalho docente e processo de ensino-aprendizagem, do Programa de Pós-Graduação em
Educação da Universidade de Uberaba-UNIUBE. Este estudo configura-se como uma
pesquisa-intervenção, de caráter etnográfico, fundamentada em conceitos essenciais da teoria
histórico-cultural, que trata da construção histórica e cultural do conhecimento, do círculo de
Bakhtin, com postulados de Bakhtin e Volochínov, e em outros autores. A pesquisa foi
realizada por meio de observação nas dependências da escola, como pátio, refeitório,
biblioteca e sala de aula, entrevistas individuais e em grupo, na forma de diálogos informais, e
um projeto de trabalho (JOLIBERT, 1994) realizado com as crianças no pátio e no laboratório
de informática. O referencial teórico desta pesquisa é composto por conceitos essenciais da
teoria histórico-cultural, especificamente de Vigotski, Luria e Leontiev, do círculo de Bakhtin,
com postulados de Bakhtin e Volochínov, e outros autores, como Bajard, Mello, Freitas,
Chartier, Eco, Geraldi e Jolibert, considerando que a atividade humana feita em colaboração,
mediada pela linguagem, leva ao desenvolvimento das funções psíquicas superiores e,
consequentemente, à humanização da criança. Os dados produzidos na pesquisa foram
organizados em unidades temáticas, episódios e cenas, e analisados com base nos sentidos
atribuídos pelas crianças às situações de produção de textos manuscritos e digitais para
compreender como elas se apropriam da escrita, e também apontar aos professores e
professoras as implicações pedagógicas deste estudo, de forma a contribuir para a melhoria da
qualidade da aprendizagem da escrita nos anos iniciais do ensino fundamental. Os resultados
indicam que o projeto de trabalho atingiu seu objetivo ao possibilitar, por meio da produção
de textos manuscritos e digitais, a expressão da criança e a compreensão de processos de
apropriação da escrita, como a atribuição partilhada de significados e sentidos que seriam
escritos, os gestos e as maneiras de escrever revelados pelas crianças e a funcionalidade da
fala para si. Considera-se que a aprendizagem da escrita pode ser favorecida em contextos
dialógicos de aprendizagem, que propiciem a colaboração e cooperação entre os sujeitos
participantes do processo educativo e que tratem a escrita como um instrumento de interação
e com função social.