CIMENTO DE IONÔMERO DE VIDRO MODIFICADO COM NANOMATERIAL À BASE DE PRATA E VANÁDIO: ANÁLISE QUÍMICA E MORFOLÓGICA
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Resumo
Este estudo incorporou o vanadato de prata nanoestruturado (AgVO3) decorado com
nanopartículas de prata (AgNPs) em um cimento de ionômero de vidro (CIV) e avaliou
as características de superfície e a liberação de íons. Foram obtidos espécimes de CIV nas
dimensões de Ø 6mm x 3 mm de espessura, de acordo com o grupo: Riva Self Cure, Riva
Self Cure + 1% de AgVO3, Riva Self Cure + 2,5% de AgVO3 e Riva Self Cure + 5% de
AgVO3. A caracterização dos espécimes quanto à dispersão da carga utilizada foi
realizada por microscopia eletrônica de varredura (MEV) (n=2). Foi realizada a análise
química qualitativa por espectroscopia por energia dispersiva de raios X (EDS). Para a
análise da liberação de íons de prata (Ag+
) e vanádio (V4+ /V5+) por espectrometria de
massas com plasma indutivamente acoplado (ICP-MS), os espécimes (n=5) foram
suspensos por um fio de náilon em tubos de polipropileno com 9 mL de água deionizada
e incubados a 37°C por 28 dias. Após esse período o líquido foi analisado
quantitativamente por curvas de calibração construídas no equipamento NexIon 300X.
Para a análise da liberação de íons fluoreto, os espécimes (n=4) foram suspensos por um
fio de náilon em tubos de polipropileno com 4 mL de água deionizada. As amostras foram
incubadas a 37°C e a água de cada frasco foi substituída após o 1º, 7º, 14º, 21º e 28º dias.
Foi utilizado um eletrodo seletivo de íons flúor (ISE 4010-C00). As fotomicrografias
obtidas por MEV mostram uma superfície com partículas maiores nos grupos
modificados, sugerindo a presença de aglomerados de AgVO3, o que foi comprovado pela
análise química. Os grupos Riva Self Cure + 2,5% de AgVO3 (0,16 ± 0,04 mg/L) e Riva
Self Cure + 5% de AgVO3 (0,18 ± 0,06 mg/L) apresentaram maior liberação de íons Ag+
com diferença significativa em relação aos demais grupos (p<0,05). Maior liberação de
V
4+ /V5+ foi observada no grupo Riva Self Cure + 5% de AgVO3 (70 ± 30 mg/L) (p<0,05).
Nota-se maior liberação de íons V4+ /V5+ do que de íons Ag+
nos grupos Riva Self Cure
+ 2,5% (p=0,006) e Riva Self Cure + 5% (p<0,001). Para a liberação de íons fluoreto,
houve diferença significativa nas interações tempo x grupo (p=0,004). De maneira geral,
todos os grupos apresentaram maior liberação no tempo de 7 dias e um declínio
progressivo até o 28º dia. No 7º dia, houve diferença significativa entre os grupos, sendo
que o Riva Self Cure (15±1 ppm) apresentou menor liberação de fluoretos em comparação
com o Riva Self Cure + 1% (20±2 ppm) (p=0,036) e o Riva Self Cure + 2,5% (20±2 ppm)
(p=0,004). Os resultados permitem concluir que as amostras de CIV modificadas
apresentam alteração das características de superfície devido a presença do nanomaterial,
com liberação de íons Ag+
e V4+ /V5+ proporcional à quantidade de AgVO3 incorporada.
De forma geral a incorporação do nanomaterial não influenciou na propriedade de
liberação de íons fluoreto, exceto em 7 dias em que os grupos com 1% e 2,5%
apresentarem maior liberação em comparação com o controle.